Jovens brasileiros lutando em uma guerrilha paramilitar de um país estrangeiro que tem como sustentação o sequestro e o narcotráfico? Isto é algo impensável para muitos pais e mães de família. Sobretudo pelo fato de o narcotráfico ser o principal responsável pela destruição de inúmeras famílias em nosso país. É também algo que nenhum pai, em sã consciência, jamais desejou como objetivo de vida para seus filhos. Então, o que levou (e leva) estes jovens a abandonarem tudo, inclusive suas famílias, e se aventurarem nesse caminho?
A resposta, de tão simples, chega a ser odiosa: nossos filhos estão sendo doutrinados nas escolas. Desde a alfabetização eles já se vêem recebendo a influência dos valores marxistas. Aprendem, entre outras coisas, que nunca serão capazes de ser alguém na vida porque a sociedade [capitalista] conspira contra eles. Aprendem a se fazer de vítimas de uma maquinação diabólica implantada em suas cabeças. E, mais do que isso, aprendem que a única forma de se livrarem destas "AMARRAS" fantasiosas é LUTANDO (literalmente mesmo). Mas, como estas amarras não são reais, contra o que iriam lutar? Outra resposta simples: contra tudo aquilo que lhes disserem que devem lutar. Nossas crianças estão sendo ensinadas a ver o mundo com olhos turvos, sem poderem distinguir, dentre as fracas imagens que lhe chegam, qual é a real e qual é a cópia tosca da real. Em outras palavras, estão sendo preparados para serem usados para um propósito que não lhes é dado conhecer.
Cena do seriado "The Walking Dead" - 6ª temporada, onde vemos a personagem Sacha "entregue" aos zumbis em uma vala, antes de enterrá-los
Mas esta doutrinação, para ser completa e totalmente eficiente, não deve acontecer somente nas escolas - e não acontece. Ela permeia todo o tecido social, estando presente em todos os lugares aonde vamos e para onde desviamos a nossa atenção: nos livros, nas revistas, nas novelas, nos filmes e nas músicas. E para fechar o ciclo, nas igrejas. Assim como acontece na trama "The Walking Dead" onde toda a humanidade fora contaminada por um vírus capaz de transformar todos nós em zumbis - mesmo que não sejamos mordidos por outros zumbis -, nós também estamos contaminados, de alguma forma, por esta doutrina. No caso do seriado, o vírus é "desconhecido", mas sabe-se da sua existência e do que ele é capaz. Já no nosso caso o "vírus" é conhecido apenas por alguns contaminados, enquanto que os outros, apesar de já terem ouvido falar a seu respeito, se negam a acreditar em sua existência e na sua virulência. No nosso caso, também temos conhecimento de sua "mais recente" MUTAÇÃO (aquilo que faz com que um vírus se torne resistente tanto à imunidade natural quanto às medicações já usadas em seu combate): trata-se da cepa do "politicamente correto" - do latim politice recte. A penetração viral em nossa sociedade é tal que conseguiu transformá-la radicalmente em poucas décadas, sendo que qualquer transformação social se efetua normalmente no intervalo de alguns séculos. Algumas mudanças foram boas, mas outras, sobretudo as mais recentes, desastrosas. Comparáveis à uma chaga cancerígena. O vídeo acima é um pequeno exemplo de como a mensagem marxista é perfeitamente passível de ser transmitida de forma subliminar. A primeira vista parece um documentário isento de terceiras intenções, mas ao olhar mais de perto, e compará-lo com a agenda marxista, a isenção cai por terra. Mas por que não percebemos esta manipulação? Simples: são dadas informações "maquiadas" para assim serem tomadas como certas. Como? Ora, tais informações são permeadas de meias verdades: pega-se um determinado fato concreto e o analisa-se a partir de pressupostos falsos. Na verdade não é tão difícil perceber o jogo de palavras utilizado para se realizar tal manipulação. O documentário se propõe a desmascarar a condição servil da humanidade em relação ao mundo moderno. Afirma que nosso sistema é totalitário por nos obrigar a consumir cada vez mais. Em outra palavras, somos vítimas do mercado e não consumidores que necessitam de determinados produtos. "Esquece-se" de dizer que enquanto consumidores não compramos o que não nos interessa, por mais que a propaganda tente nos convencer do contrário. Tanto é que qualquer produtor que queira ser um vencedor na sua área deve estar atento ao seu cliente, o MERCADO CONSUMIDOR. Se não resistimos ao chocolate e saímos da dieta a culpa não é do chocolate, mas inteiramente nossa. O marxismo é exatamente isso: uma teoria que culpa os outros pelo nosso fracasso e que propõe como solução a 'SOCIALIZAÇÃO" do sucesso dos outros. Mas infelizmente não dá para socializarmos o corpinho sarado de quem malha disciplinarmente todos os dias com aquele que se presta a ficar o dia todo de frente à televisão assistindo futebol. Mas isto os marxistas não dizem.
DA FUNDAÇÃO DE ESTUDOS AGRÁRIOS LUIZ DE QUEIROZ (FEALQ)
A Fazenda Figueira, localizada em Londrina, próxima do distrito de
Paiquerê, é propriedade da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz
(FEALQ), entidade privada, sem fins lucrativos, com objetivo de apoio à
pesquisa de desenvolvimento científico, econômico e social, encontra-se
invadida por mais de 1000 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.
A Fazenda Figueira foi doada pelo Sr. Alexandre Von Pritzelwitz no ano de
1995 para a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ), e não para a
USP/ESALQ, como mencionado por pessoas que não conhecem a história da fazenda.
A USP não é proprietária e não participa de maneira alguma na administração da
Fazenda Figueira.
Essa doação TVE como objetivo a instalação de uma fazenda modelo e um
centro de pesquisa em pecuária de corte, para o desenvolvimento de técnicas
sustentáveis para a produção pecuária. A Fundação de Estudos Agrários Luiz Queiroz
(FEASLQ) iniciou a administração da Fazenda Figueira no ano de 2000, após o
falecimento do Sr. Alexandre Von Pritzelwitz.
Desde então os trabalhos na fazenda Figueira estão sendo conduzidos com
seriedade, visando a aplicação de técnicas capazes de aumentar a eficiência
técnica/econômica, social e ambiental do projeto, o que caracteriza uma
administração com foco em sustentabilidade, capaz de aumentar a produtividade,
alcançado indicadores muito acima dos exigidos legalmente para caracterizar uma
propriedade produtiva.
Para tanto, inúmeras pesquisas foram e são conduzidas com o objetivo de
validar tecnologias a serem aplicadas nos sistemas de produção, além da
obtenção de indicadores de sustentabilidade para a atividade de pecuária de
corte.
Realizamos trabalho de difusão de tecnologias com técnicos, produtores e
estudantes, através de dias de campo e aulas a campo com alunos de
universidades como UEL; UEM; USP; UNESP; UFG; entre outras. Além de palestras
pelo Brasil para a difusão de tecnologias aplicadas e os resultados obtidos nas
pesquisas realizadas na Fazenda Figueira, com o objetivo de incentivar a
produção de uma pecuária sustentável. As pesquisas produzidas são publicadas
através de teses e dissertações de pós-graduação, ale, de revistas científicas
de circulação nacional.
A Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz/Fazenda Figueira, através
de seus técnicos, faz parte da APPS – Associação dos Profissionais da Pecuária
Sustentável, formada por universidades, instituições de pesquisa, empresas de
consultoria, que buscam o desenvolvimento e divulgação de técnicas para a
capacitação de técnicos de campo, com o objetivo de proporcionar a adoção de
novas técnicas para o aumento de produtividade da pecuária brasileira de forma
sustentável.
O reconhecimento pelas instituições ligadas à pecuária brasileira, para
trabalhos e pesquisas conduzidas na Fazenda Figueira, resultaram na nomeação de
um engenheiro agrônomo da Fazenda Figueira como diretor técnico da APPS.
Para a condução do sistema de produção e pesquisas existentes na Fazenda
Figueira, contamos com a colaboração de 14 famílias que residem na propriedade
em casa de alvenaria, com água; luz; coleta e tratamento de esgoto; vias de
acesso internas iluminadas; além de plano de saúde oferecido gratuitamente aos
funcionários. Esses colaboradores são responsáveis pela execução de diversas
atividades realizadas na Fazenda Figueira.
Para execução das pesquisas, contamos também com a colaboração de alunos
de graduação e pós-graduação, professores e pesquisadores de diversas
universidades nacionais e internacionais, o que comprova o comprometimento e
participação ativa na realização de pesquisas dentro da Fazenda Figueira.
Na área ambiental, a Fazenda Figueira possui a reserva particular do
patrimônio natural – RPPN “mata do barão”, que é a maior reserva de Mata
Atlântica contínua de Londrina, e responsável por 47% de arrecadação do ICMS
ecológico do município de Londrina, onde foram conduzidos trabalhos de
catalogação, marcação e identificação das espécies de árvores, plantas e
animais. As áreas da “mata do barão|” e as áreas de preservação permanente são
todas isoladas para a preservação ambiental. Essas áreas de reserva representam
aproximadamente 40% da área total da propriedade, muito acima doa 20% exigidos
por lei, o que caracteriza o empenho da FEALQ em manter áreas com a
biodiversidade da Mata Atlântica para a preservação de espécies vegetais e
animais, além da realização de pesquisas para fortalecer a preservação
ambiental no país.
Por definição a sustentabilidade é alcançada quando direcionamos nossos
esforços para o aumento da eficiência econômica, ambiental e social dos
projetos. Essas informações acima descritas e os indicadores produtivos da
Fazenda Figueira mostram que a administração da FEALQ está trabalhando com
seriedade e firmeza desde o ano de 2000, contribuindo para o engrandecimento da
pecuária nacional de forma sustentável.
Na segunda-feira da semana passada
(17/08/2015) a invasão da Fazenda Figueira (Londrina/PR) causou surpresa e
revolta em boa parte da comunidade ESALQUEANA. Notas de repudio e declarações
de ex-alunos tomaram conta das redes sociais exprimindo a indignação contra
este ato bárbaro. A história desta fazenda e de como ela veio a se tornar parte
da FEALQ, nos ajuda a compreender a profundidade do abismo moral em que vivemos
hoje. Alexandre Von Pritzelwitz assim como Luiz de Queiroz são exemplos de
empresários do agronegócio brasileiro, que por espírito de extrema visão e
compaixão para com as futuras gerações mudaram o rumo da agricultura nacional e
a vida de milhares de estudantes. Se fossem vivos estes senhores provavelmente
seriam enquadrados por alguns destes mesmos “estudantes” que se beneficiam de
suas doações, dentro do grupo pejorativamente intitulado ruralistas. Esses
mesmos, que são atacados dia após dia por essa esquerda abobada, detentora
exclusiva da bondade e altruísmo existente entre nós.
De maneira curiosa, alguns ex-alunos que no
passado endossaram ações e invasões do MST se posicionaram contrários ao ato na
Faz. Figueira. Como avaliar essa mudança repentina de posicionamento?
Primeiramente, é provável que a grande maioria dos atuais ex-alunos, por mais
desinformados que sejam, já tenha escutado a respeito do trabalho de excelência
que vem sendo desenvolvido nesta propriedade. Esta, que é referencia no
desenvolvimento de pesquisa na área de pecuária com ênfase em sustentabilidade
e conservação ambiental, o que invalida o argumento de propriedade improdutiva.
Mas acredito que exista também um
sentimento conflitante nessa situação, algo que um observador externo não
conseguiria compreender. Não importa a data de formatura, curso, espectro
político ou tipo de moradia estudantil, todos nós temos a escola como sendo um
pouquinho nossa. Um sentimento estranho, mas que comungamos ao passar pelo
portão principal e ver o busto de Luiz Queiroz e o prédio central imponente ao
fundo do gramadão. O coração acelerado no peito e o arrepio dos pelos ao baixar
a janela e sentir o vento fresco e úmido da matinha com o cheiro do Pau d’alho.
E ver a história da sua vida cruzando na sua frente entre o portão principal e
o Flamboyant do laguinho. E agradecer silenciosamente aos céus a oportunidade
de ter vivido tudo isso e que, apesar de tantos anos já passados, ainda ter a
sensação de estar chegando em casa. Acredito que este sentimento ajude muito a
compreender esse comportamento paradoxal.
Apesar dos índices técnicos darem bastante
sustentação ao argumento de que esta propriedade definitivamente não é
improdutiva, os mesmo s nunca são colocados em consideração quando propriedades
alheias são invadidas. Inclusive propriedade que realizam pesquisa de altíssimo
nível, bem como faz a Faz. Figueira. Qual a diferença? A diferença é que a
justiça social boa é feita com bens alheios, com os nossos nunca!
Agora, imagine se esta situação estivesse
acontecendo com a propriedade da sua família. Imagine que seu título e registro
de terra fosse mais antigo que a própria ESALQ e tão legítimo quanto a Faz.
Figueira. Que você fosse escorraçado como bandido da terra que viu seus avós e
seus pais construindo após anos de batalhas. Que você tentasse contar sua
história, o quão absurda é esta situação e que seus amigos não conseguissem nem
mesmo compreender. Essa é a situação não só da minha família, mas quase 100
outros produtores somente no estado do Mato Grosso do Sul.
A distancia entre o mundo rural e o urbano dificulta a
compreensão dessas questões por grande parte da população. A imagem propagandeada
Brasil afora é a que nós, produtores rurais, somos todos malévolos
exploradores, destruidores do meio ambiente e assassinos de indígenas. A
cegueira ideológica não permite que estes propagandistas vejam que somos tão
maus ou tão bons como eles próprios. E que nossas propriedades devem ser
respeitadas assim como as suas, seja esta um comércio no centro da cidade, uma
casa em um condomínio de luxo ou um apartamento na periferia.
Muito provavelmente também não é do conhecimento da
maioria que na semana passada um grupo de indígenas, além de invadir uma
propriedade de forma truculenta utilizando arma de fogo, fizeram a família de
refém e agrediram fisicamente os proprietários. A barbárie se repete dia após
dia longe doa holofotes da grande mídia. Nos últimos três anos eu vi e vivi as
consequências destas ideias nefastas, afetando diretamente os dois bens mais
valiosos da minha vida: minha família e minha escola. Não seja o próximo a
morrer sentado! Levante-se contra todas as ideias que atacam nossos direitos,
propriedades e liberdades.
Nicolás Maduro, atual presidente
da Venezuela, ordenou que o Ministério Público considerasse Leopoldo Lopez, seu
opositor político, culpado dos crimes incitação pública, formação de quadrilha
(?) e responsável pelos danos materiais e incêndios ocorridos durante
manifestação de 12 de fevereiro de 2014. Além de Lopez outros quatro jovens
receberam sua sentença: Marco Coello e Christian Holdack por incêndio, danos ao
patrimônio, conspiração e instigação, e Demian Martín e Ángel Gonzalez por
formação de quadrilha. Vale ressaltar que todos estes são líderes de movimentos
contrários ao governo e que, portanto, numa política de desestabilização da
oposição, como esta encampada pelo narcogoverno venezuelano, o afastamento de
líderes como estes, seguida de sua EXEMPLAR punição, serve como forma de desestimular
atos de rebeldia contra o ditador em comando.
O que o Ministério Público alegou
como prova? Vejam a nota: “os pronunciamentos oficiais
feitos através dos meios de comunicação e redes sociais, claramente incitaram
seus seguidores a gerar violência nas ruas e ignorar o governo nacional e as
instituições do Estado venezuelano”
A mensagem foi dada. Todas as
instituições democráticas do país estão subordinadas ao simples comando de
Maduro. A VENEZUELA É UMA DITADURA.
A imprensa internacional reproduz despachos diários de Caracas sobre o conflito entre o governo marxista e a oposição. Isso acabará ou não em guerra civil aberta? É provável que esta venha a tardar, mas quanto maior for a demora, mais terrível será. O único meio de evitá-la é uma fortíssima e contínua pressão internacional sobre o regime para que respeite a ordem jurídica.
Repressão da Guarda Nacional Bolivariana aos estudantes que protestam nas ruas de Caracas contra o governo ditatorial na Venezuela.
Como mostram incontáveis artigos e notícias, a situação na Venezuela torna-se cada dia mais insustentável, aparentemente a caminho do colapso econômico final, sem que se saiba de modo exato quando este ocorrerá. Por muitos lados parece iminente, pois as medidas do governo procuram de modo sistemático apenas atenuações mais o menos pequenas, sem implementar qualquer política conducente a uma solução de fundo.
Socialismo funciona mal por todos os lados — fracasso irremediável
Com efeito, além da ilegitimidade insanável dos princípios marxistas, sucede que o governo não toma nenhuma medida para restabelecer a normalidade econômica e social, por exemplo cortando a torrente de dinheiro desperdiçado pela Venezuela no sustento dos demais países comunistas e pró-comunistas da América Latina, como Cuba, Bolívia e Nicarágua. Nos últimos três anos foram 18 bilhões de dólares, sem qualquer resultado. Mas Maduro e Fidel Castro não querem obviamente que se dê esse passo, ruinoso para este último.
Outra medida seria ajustar o preço interno dos derivados do petróleo até aproximá-lo dos preços internacionais, ou seja, ao valor real desses produtos, o que daria algum alívio econômico ao Estado, que no fundo paga por quase todo esse consumo. Mas isto também causaria uma forte diminuição da popularidade do governo, uma vez que esses preços praticamente se decuplicariam, causando um aumento de todos os demais preços do comércio venezuelano. E por isso o governo não quer proceder dessa maneira, embora o prejuízo nacional aumente a cada dia.
Igualmente, se o Estado venezuelano saldasse suas dívidas com as empresas privadas, permitir-lhes-ia continuar produzindo com alguma normalidade. Mas ele não o faz, porque sua política consiste em demolir a economia privada nacional, sem importar-se muito com o efeito simultâneo de destruir junto à população o pouco que ainda resta de prestígio ao “socialismo bolivariano”. Afinal de contas — parece ponderar —, se isto continuar, teremos de reprimir…
Os exemplos poderiam multiplicar-se indefinidamente com a insuficiência dos salários pagos pelo Estado aos empregados e operários dele dependentes, totalmente defasados devido ao aumento constante do custo de vida, já que a inflação venezuelana é a mais alta das Américas. A isto cumpre acrescentar o efeito da emissão monetária inorgânica produzida nos últimos meses. Obviamente, tal situação não deveria continuar, mas o simples reajuste de salários tampouco resolveria o problema, pois a política do governo é errada de início ao fim.
A Venezuela já caiu na trágica situação de cessar parcialmente os pagamentos em suas relações econômicas internacionais. O que só tende a se agravar, afetando um setor depois de outro da economia e repercutindo nos diversos aspectos da vida diária da população, em um processo que inicialmente pode ter tido problemas mais ou menos contornáveis, mas que a longo prazo tornaram-se crônicos e perturbadores.
De pouco vale remediar o acidental, se se mantém o essencial
A uma vintena de empresas aéreas internacionais, por exemplo, o Estado deve mais de quatro bilhões de dólares, dívida que veio se acumulando durante os últimos anos. Depois de muita demora, sua atitude foi de resolver recentemente pagar “uma parte” a algumas delas, e o resto mais adiante.
Contudo, a essas poucas empresas o Estado pagará somente o que lhes deve desde 2012 e 2013, quando o problema era menos agudo, de modo que no fundo a medida é pouco significativa. O restante da dívida será adiado por tempo indefinido, o que equivale a um escárnio, pois é exigir dessas empresas que financiem os gastos faraônicos do Estado venezuelano.
Isso para não perguntar o que será feito das dívidas com as demais empresas de aviação, às quais o Estado de momento aparentemente nada pagará, ameaçando-as ademais com a suspensão de suas licenças de operar nos aeroportos venezuelanos se elas cancelarem seus voos, não obedecerem normas do governo ou lhe fizerem demasiadas exigências.
Assim, quando se tornar claro que grande parte dessas políticas é um conjunto de medidas meramente dilatórias, ou que o governo fez pagamentos insignificantes, reiniciar-se-ão os protestos, acentuando-se a sensação de crise total; e a negativa do regime em reconhecer essa realidade não fará senão agravar a sensação de descalabro.
Maduro faz o clássico gesto comunista diante de um quadro do falecido Hugo Chávez.
Complemento da política econômica do Estado: a repressão
Por ser um governo estatista, favorável à luta de classes, demagógico no uso dos recursos fiscais para a obtenção de maior apoio popular, favorável à igualdade social completa, e indiferente diante da crise que desse modo provoca, Maduro opta por atacar e ameaçar todas as correntes de opinião que não lhe são afins, agravando assim sua impopularidade.
O resultado é que uma parte considerável de seus próprios partidários passa para a oposição, pois fica evidente a inviabilidade de um diálogo sério. Desse modo, a perspectiva é de que a rejeição recíproca entre governo e oposição se acentue fortemente rumo à ruptura total, com a provável eclosão de uma violência nunca vista até o momento.
É útil citar o artigo O que acontece com a Venezuela e com as organizações internacionais, de Ezequiel Vásquez-Ger, publicado no “El País” de Madrid, em 6 de junho último. Ele descreve as condições imperantes na Venezuela e a indiferença das organizações internacionais, que deveriam se pronunciar e impor respeito ao Estado de Direito.
“Na Venezuela, a situação é evidente para os que querem ver: durante os últimos 15 anos o país sofreu a paulatina decomposição de todas as instituições democráticas. Desde o começo do ano, esse processo destrutivo se intensificou. O governo de Nicolás Maduro atacou sistematicamente, reprimiu e criminalizou as manifestações de protestos estudantis indefesos, em alguns casos mediante a prática brutal e ilegal da tortura; perseguiu e prendeu, sem processo judicial, a dissidência política, hoje convertida em resistência; fechou meios de comunicação, limitou o acesso à informação, promoveu a impunidade, confiscou a propriedade privada, impediu a livre circulação dos cidadãos, desprezou o direito à vida, à integridade física, à alimentação e à educação. […]
“Internacionalmente, a situação torna-se evidente quando se observa a atuação da Organização dos Estados Americanos no transcurso do corrente ano. Por meio de dólares e do petróleo, a Venezuela conseguiu controlar, quase em sua totalidade, os votos dentro da dita Organização, a qual não só permaneceu em silêncio a respeito da situação catastrófica que vive a Democracia no país, mas nem sequer permitiu que se debatesse a situação em seu Conselho Permanente.”
Em consequência, a ordem jurídica e a segurança não existem na Venezuela, pois o governo as destruiu de modo sistemático, para reduzir a cinzas a opinião pública e torná-la totalmente inerme diante dos abusos do Poder. Ou seja, a população sente-se acossada pela Guarda Nacional e pela Polícia bolivarianas, pelos tribunais de Justiça dominados pelo Executivo, pela Fiscalia Geral da Nação, que formula as acusações aos opositores, e também pelas hordas de delinquentes que atuam em todas as partes a seu bel-prazer, obviamente porque sabem que o governo as vê com simpatia, como a expressão da “fúria popular” revolucionária.
Por isso os índices de mortes violentas na Venezuela são de longe os mais altos entre os países que não se encontram em guerra declarada. O mesmo sucede com os sequestros, assaltos, roubos e extorsões, fenômenos que aumentaram brutalmente devido ao grande número de máfias, quadrilhas e milícias ilegais, toleradas se não criadas, pelo regime vigente.
Nessas circunstâncias, deve-se temer que o governo de Maduro — apoiado por Cuba, por várias nações de tendência “bolivariana” da América, bem como pelas entidades internacionais por elas formadas, além da Rússia, da China e de vários países dominados pelo islamismo radical —, longe de cair em breve, vá acentuando sua faceta ditatorial, fazendo com que o regime vigente e a própria Venezuela agonizem conjuntamente por longo tempo, em um ambiente ao mesmo tempo caótico, miserável e infernal.
Se o regime se radicalizar, Maduro converter-se-á em demolidor
Se isso suceder, Maduro passará para a História como o demolidor da Venezuela em continuidade a Hugo Chávez, do mesmo modo como Fidel Castro se converteu no demolidor de Cuba. Isso não impede que o regime castro-comunista continue a receber todo tipo de elogios dos oportunistas de sempre, assim como dos fanáticos do igualitarismo e da luta de classes, satisfeitos com o afundamento daquela nação na miséria.
De fato, Maduro já é visto como o demolidor de seu país, diminuindo dia a dia a parte da população que o apoia. Beneficia-se com isso a oposição, que se sente cada vez mais esmagada ao longo de um processo que está se tornando galopante devido ao inescrupuloso apoio da maioria dos governos da região ao regime ditatorial venezuelano. Embora este possa cair de um dia para outro, poderá também durar meses ou anos, o que seria devastador para a Venezuela e altamente daninho para toda a América, tanto ou mais do que a eclosão de uma guerra civil.
A esperança de Maduro vir a ser vencido em uma eleição de vital importância, abrindo-se as vias à normalização do país, é totalmente utópica. Isso porque as contendas eleitorais vêm sendo contaminadas por uma disparidade escandalosa e crescente nas campanhas, com o uso maciço de dinheiro público para seduzir a população, a distribuição entre os partidários do governo de fundos da mesma origem, a utilização sem a menor equidade dos meios de comunicação estatais, e naturalmente o uso também maciço das fraudes eleitorais, pois o regime maneja à vontade todos os mecanismos de controle que deveriam impedi-las.
Por exemplo, na última eleição presidencial de que Chávez participou, o uso do rádio e da televisão por parte deste foi doze vezes maior do que o de Henrique Capriles, o candidato opositor. E se houvesse eleição agora, essa disparidade seria muito maior. Ademais, o regime bolivariano estabeleceu para as massas que lhe são favoráveis, formas de subsídio popular que em muitos casos compensa de sobra a pobreza em que caiu toda a população, de modo que este setor continuará apoiando-o só por cumplicidade.
Quanto mais durar a atual situação, mais cruento e demolidor será o confronto geral, pois, segundo o costume comunista, para manter o Poder nas mãos da minoria vermelha, vale tudo, inclusive as piores brutalidades e que o país caia na mais profunda miséria e nos mais tempestuosos conflitos.
Isso só não se dará caso o comunismo sinta que lhe é absolutamente forçoso tolerar uma mudança de rumo, provocada por uma fortíssima reação da população venezuelana e um apoio internacional muito categórico a ela, o que ainda não aconteceu. Pelo contrário, como dissemos, a maior parte dos governos da América do Sul é cúmplice do chavismo, e se pudesse levaria seus respectivos países pelo mesmo rumo.
A queda do chavismo poderia produzir o colapso do castrismo
Nesse sentido, pesa também o fato de que, se a ditadura bolivariana cair, acarretará de imediato uma crise fortíssima no castro-comunismo na própria Ilha-prisão. Simplesmente porque este não poderá suportar o corte da ajuda econômica venezuelana. Se esta é enorme e ruinosa para o país que a dá, muito maior será sua falta para o regime esquálido que até hoje a recebe. De onde Cuba fazer de tudo para proteger e, ao mesmo tempo, dominar o regime de Maduro.
Mas a diferença entre ambos os países é que, enquanto a população de Cuba já se acostumou à miséria mais negra, com a da Venezuela tal não sucedeu. Ao contrário, a abundância de dinheiro durante mais de uma década de regime bolivariano tranquilizou um tanto a população, permitindo de algum modo ao chavismo instalar-se no Poder e nele se manter. Mas a presente escassez estimula os protestos de rua em um nível de inédita intrepidez, pois ficou claro para todo o país que é indispensável lutar e fazer todos os sacrifícios necessários.
A Venezuela vai sendo transformada em campo de concentração
Em Cuba, Raúl Castro acompanhado por Maduro e José Mujica, presidente do Uruguai
De outro lado, o isolamento da Venezuela das demais nações, como é típico dos regimes comunistas, já começou a se produzir com a suspensão dos voos de várias companhias internacionais e o encarecimento das passagens aéreas. Estas últimas só farão aumentar, não apenas porque outras companhias suspenderão por sua vez seus voos, mas também pelo fato de o país ir sendo transformado num verdadeiro campo de concentração do qual os venezuelanos podem cada vez menos sair. Mas isto também mostra à opinião pública que o combate é hoje essencial; não em tese, mas de imediato.
Algo de semelhante parece suceder com a desmontagem do parque industrial, privado de todo crédito, da mais elementar segurança jurídica, do poder aquisitivo de toda a população e de qualquer estabilidade. Acrescentem-se a isso as infindas tropelias dos organismos estatais e de seus respectivos funcionários, que tornam quase impossível a vida da maioria da população.
E no que tange às subsidiárias das empresas estrangeiras, some-se a todo o anterior que a tolerância destas a um tal sistema tem limite, pois do contrário equivaleria a que aceitassem seu definitivo despojamento. Tudo isso se transforma assim em estímulo para luta e a urgente necessidade da mesma, porque a estratégia de Maduro poderia chamar-se a de “país arrasado”.
Também sucede que durante décadas a Venezuela viveu do consumo de produtos importados, pagos com o dinheiro oriundo do petróleo. Mas não pode mais arcar com esse enorme gasto, pois muitas de suas vendas foram feitas com pagamento antecipado dos países compradores, em especial da China. Assim, Caracas deve agora simplesmente fornecer-lhes o petróleo vendido, pois o dinheiro correspondente ela já o gastou.
Em consequência, a escassez dos produtos mais essenciais tende a ficar dramática, sem que haja remédio à vista. A escassez tornar-se-á no melhor dos casos rotativa e a população irá se acostumando com as maiores e mais variadas privações, sem conseguir a satisfação de todas as suas necessidades. A alternativa é lutar sem descanso e com ânimo sempre alto, porque o efeito da perseverança é a vitória.
Se para o geral da população as condições são dramáticas, elas são altamente lucrativas para a minoria incondicional do regime, que se transformou em uma máfia parasita do Estado, com acesso a negócios com o mundo oficial que são vedados ao comum das pessoas; ademais de graves desfalques denunciados amiúde pela imprensa.
Dezenas de milhares de cubanos: força decisiva para a conquista
Como pode acontecer tudo isso sem que os conflitos se multipliquem sem medida? Simplesmente porque a Venezuela está invadida por dezenas de milhares de soldados, milicianos, agitadores e pistoleiros cubanos, que atuam de modo ao mesmo tempo clandestino e ostensivo, cometendo crimes e preparando-se para eles, sem que haja a menor possibilidade de serem reprimidos, castigados ou expulsos pelo governo, pois procedem assim por desejo expresso deste; ou antes, em razão do combinado entre ele e a cúpula castrista.
Ademais, as violências que praticam têm por fim amedrontar a população, mostrando-lhe que os abusos poderiam tornar-se muitíssimo maiores, se o governo de Maduro assim o desejar. É o que permitiu a este radicalizar-se de modo notório ultimamente, enquanto a população se manteve paralisada. Apenas nos últimos meses, com os corajosos protestos estudantis e a solidariedade da maioria das demais classes com os mesmos, é que se produziu um impasse entre o governo e a oposição, o qual perdura até agora.
Assim, a ameaça de guerra civil se mantém, com a ditadura dispondo de um poder bélico desproporcionalmente maior do que o da oposição, enquanto os demais países da América mostram uma escandalosa indiferença pelo que sucede na Venezuela, ou simplesmente apoiam sem reservas o regime opressor.
Parece haver um profundo descontentamento no seio das Forças Armadas com a infiltração cubana, sobretudo porque esta se converteu em um poder paralelo à hierarquia oficial. E embora as manifestações castrenses sejam sumamente cautas, o governo lança contínuas denúncias sobre supostas conspirações nos corpos militares, provavelmente para inibir toda reação e para que possa prender oficiais passíveis de se transformarem em opositores.
Protestos estudantis abriram nova etapa no conflito
Jovens enfrentam valentemente a polícia bolivariana
A resposta do governo à mobilização estudantil foi violenta. De um lado, ele se valeu de hordas de delinquentes fortemente armados — alguns da Guarda Nacional, outros simplesmente anônimos e por vezes encapuzados —, e de outro lado, de organismos judiciais e policiais totalmente facciosos, porque o regime é totalitário.
Um dos líderes da oposição, Leopoldo López, foi perseguido até se entregar. Transcorridos vários meses, não lhe foram feitas acusações verossímeis, porque as gratuitas são abundantes e sempre desprovidas de provas. Por exemplo, a afirmação de que ele estaria preparando um “magnicídio” — o assassinato do Presidente Maduro.
A deputada Maria Corina após ter sido agredida a socos e pontapés por seguidores de Maduro no Congresso venezuelano
A deputada Maria Corina Machado [foto ao lado e abaixo] foi por sua vez acusada de “assassina” pelo próprio Maduro, o que é perfeitamente ridículo. Ele afirmou que quer vê-la presa, também por suposta tentativa de “magnicídio”. A Fiscalia Geral da Nação, dirigida por Luisa Ortega, esposa de Maduro, deve intervir no caso, naturalmente para endossar a absurda e grotesca acusação.
Analogamente, os prefeitos de San Cristóbal e de San Diego foram presos, acusados, destituídos e julgados de modo parcial, no fundo por terem uma indiscutível liderança sobre suas respectivas cidades; mas também a fim de intimidar outros opositores com prováveis perseguições, para que abandonem suas posições e se dobrem diante das hostes do regime.
Maduro não conseguiu contudo amedrontar os prefeitos, nem suas famílias e relações. A prova é que suas esposas se apresentaram como candidatas para substituí-los — pois estão presos —, tendo ambas obtido estrondosas vitórias. Demonstrou-se assim um claro apoio da população aos prefeitos depostos. Mas isto não impedirá o governo de continuar com os seus abusos, nem a oposição com os seus protestos.
Realmente, devido à falta de princípios morais do governo, a impressão que se tem é de que se está preparando, não um “magnicídio” propriamente dito, mas um simulacro deste destinado ao fracasso e que sirva de pretexto para repressões brutais e indiscriminadas contra toda a oposição. Isto porque as investigações ficariam a cargo de súditos de Maduro, que lhe obedeceriam cegamente nas várias providências, e, sobretudo, nas decisões judiciais.
O princípio mais básico da função governativa exige que todas as acusações lançadas por uma autoridade contra a oposição, em particular em matéria penal, sejam meticulosamente provadas. Se não o forem, devem ser recusadas. Mas a prática no atual regime venezuelano é a sucessão ininterrupta de embustes e calúnias, na aparência com a ideia de que, de tanto repetida, uma falsidade se torne verossímil. É o que parece suceder com a acusação do “magnicídio”.
Diálogo problemático porque seu êxito é muito improvável
Isso tem, entretanto, outra consequência adicional: o diálogo iniciado entre o governo e a oposição fica impossível, pois não se pode tratar de temas graves entremeando-os com imputações caluniosas, ameaças, afrontas, insultos, impropérios e medidas repressivas. E, de fato, o diálogo não tardou em ser suspenso. Houve algumas esperanças de reinício, mas logo se tornou patente que não era possível, pois parte da oposição havia sido maltratada, e o governo suspendido várias vezes os encontros sem explicações válidas.
Em princípio, em qualquer conflito, caso as partes queiram chegar a um entendimento, ou ao menos que a coexistência entre elas se torne possível, cumpre que dialoguem a partir de princípios comuns e com um raciocínio também comum, para chegarem a uma conclusão compartilhada. Isto é precisamente o que faltou no início do diálogo venezuelano e o que augurava desde o começo o seu fracasso: todos os argumentos jurídicos da oposição são recusados pelo governo, por não coincidirem com os pressupostos marxistas nem com própria estratégia deste, cuja única “moral” são as conveniências da revolução.
Algumas pessoas propuseram certos personagens estrangeiros para mediadores nos diálogos, pensando com isso conferir talvez a estes alguma objetividade. Em tempos de Hugo Chávez houve uma tentativa semelhante, quando se propôs o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter para idêntica função. Mas a proposta resultou um grande fiasco quando Carter declarou que estava muito de acordo com a política de Chávez, a quem dava toda a razão — o que, aliás, não constituiu surpresa…
É, portanto, de desejar que Carter seja agora descartado, por sua falta de imparcialidade. Tão evidente que, ao morrer Chávez, ele destacou o “compromisso” do falecido com a melhoria nas condições de vida de milhões de pessoas (!), bem como sua “visão” para abordar “profundas mudanças em seu país” e“beneficiar os setores mais esquecidos e marginalizados da população”. Ou seja, pior do que Jimmy Carter só seria mesmo Vladimir Putin…
Mas existe também outra condição a ser preenchida pelo mediador: este não pode estar ao alcance de ataques de nenhuma das partes. Houve propostas para que se nomeasse como árbitro o novo Secretário de Estado da Santa Sé, Cardeal Pietro Parolin, por vários anos Núncio Apostólico na Venezuela. Mas tal proposta parece não ter prosperado, primeiro porque o Vaticano não deu o menor sinal de que fosse aceitá-la, e depois porque o diálogo seria difícil, longo e com poucas possibilidades de êxito, devido às numerosas altercações de Chávez com vários bispos venezuelanos e suas frequentes expressões irreverentes em relação à Igreja.
De outro lado, se o diálogo fracassasse estrepitosamente, como é provável, haveria risco de as represálias do regime bolivariano afetarem a liberdade da Igreja na Venezuela, o que o Sumo Pontífice, como é óbvio, não poderia desejar. Também, as incontáveis ocupações do cardeal Parolin na Secretaria de Estado do Vaticano não lhe permitem assumir uma missão quase intérmina, justamente porque a tática chavista consiste em prolongar a situação enquanto vai assumindo novos controles do Poder e desgastando a oposição.
Mas, à margem dos mediadores, há outro aspecto a ser analisado: é a participação da UNASUR — aliança de nações sul-americanas com governos afins ao chavismo — no diálogo, a cujo respeito transcrevemos parte do artigo “O ‘diálogo’ deve continuar”, escrito por Alek Boyd (“El País”, Madrid, 17 de maio de 2014):
“Cumpre lembrar que a mesma UNASUR anunciou seu apoio, em abril de 2013, a uma auditoria total dos resultados da eleição que Maduro supostamente ganhou. Dita auditoria nunca foi levada a cabo, pelo que a credibilidade dos representantes da UNASUR, como observadores supostamente imparciais, é igual à dos atores [governamentais] já mencionados”. Ou seja, nula.
“[…] O que nenhum dos comentaristas e especialistas de ofício ressaltam é que transcorreu mais de um ano desde aquele apoio a uma auditoria total dos resultados eleitorais, combinado em Lima pela UNASUR e que legitimaria a Nicolás Maduro como Presidente, a qual não se realizou, nem se realizará. Os ‘bem dispostos’ chanceleres da UNASUR não disseram qualquer palavra de discriminação ou crítica a respeito, por considerações econômicas [leia-se: negócios com o chavismo] que são as que ditam a agenda. […]
“O ‘diálogo’ entre as partes não produziu um só resultado: os presos políticos continuam presos e seus ‘processos judiciais’ regidos pela Fiscalia chavista continuam sendo uma farsa; os estudantes continuam sendo presos, torturados e acusados falsamente; os coletivos do terror campeiam livremente; altas autoridades do governo continuam fabricando evidências e denunciando complôs inexistentes; quer dizer, nada mudou. O chavismo não deu nem uma só mostra que indique uma intenção diferente à de manter-se no poder a qualquer custo.”
Pois bem, como esperar algo de positivo no diálogo com tais participantes?
Em meio às trevas, surgem algumas luzes de esperança
Portanto, por muitos lados a situação é opressiva e de algum modo sem muita esperança. Mas há dois aspectos sumamente alentadores, como acontece amiúde nas grandes tragédias que caem sobre os povos. É que estas suscitam energias, espírito de luta, patriotismo e religiosidade que pouco antes pareciam quase extintos ou, pelo menos, profundamente deteriorados, e a cujo influxo se acende uma ardente combatividade que se propaga com celeridade pela multidão.
Com efeito, milhares de jovens saem quase todos os dias às ruas de muitos bairros de numerosas cidades venezuelanas, para expressar pacífica mas energicamente sua rejeição à violência ditatorial, à ilegalidade sistemática, à prepotência irracional e à descristianização do país. E isso eles o fazem depois de ter visto muitas vezes outros jovens como eles caírem massacrados pelos esbirros do regime comunistoide, ou serem presos por prazos cuja extensão é impossível prever e que talvez incluam torturas, porque tudo depende da arbitrariedade insana de um ditador nacional, comunal ou distrital, que em algum canto escuro decide que violências perpetrar, como intimidar, sabendo que tudo ficará impune para ele.
Entretanto, a perspectiva do risco não detém nem assusta os jovens. Pelo contrário, os alenta, pois a presença do ódio que notam contra si é um sintoma de tudo o que se prepara para o país, do perigo que o circunda, não só a ele, mas a todo o Continente, e que urge enfrentar. Estão cônscios de que, se são ameaçados, é porque os agressores veem o perigo que significa para eles a força e o arrojo da combatividade cristã, na qual brilham o idealismo, a apetência pela luta heroica e a generosidade.
Se tal combatividade fosse tudo, ainda seria pouco e insuficiente. Mas a isso se acrescenta uma religiosidade como há décadas não se via, a qual leva os jovens a rezarem, não somente antes de começarem e depois de terminarem as manifestações, mas também durante as mesmas, nas praças, nas ruas e, obviamente, nas situações de perigo. Em muitos deles, é palpável a graça de Deus quando se lançam ao combate e imploram por meio do Rosário à Virgem de Coromoto, Padroeira da Venezuela, que lhes conceda sua proteção, mas, sobretudo, que resgate sua Pátria.
Os estudantes dão assim as costas ao mundanismo, aos interesses pessoais, às conveniências imediatas, às diversões, à frivolidade, e ao próprio instinto de sobrevivência, para abraçarem a causa da salvação nacional, certos da ajuda da Providência Divina e de que essa resistência será assumida por incontáveis outros jovens, junto aos quais lutarão até a vitória.
Há provavelmente mais de um século que não se via algo assim na América, ao menos nessas proporções e com tanta autenticidade. Na realidade, os próprios esquerdistas — falo daqueles que entendem de fato a realidade profunda das coisas, não de seus esbirros — devem estar lamentando profundamente que os irmãos Castro, Chávez, Maduro e outros tiranos tenham levado sua perfídia até ao extremo, como está descrito nas páginas precedentes, suscitando toda essa magnífica reação.
Dentro de alguns dias, Maria Corina Machado, Leopoldo López e muitos outros estarão sendo julgados por juízes venais, aos quais Maduro mandou que os sentenciassem à prisão. Mas inúmeros outros jovens se porfiarão para ocupar seus lugares, tendo isso como um privilégio e uma honra, à espera de lances gloriosos porque árduos, sabendo que muitos outros quererão depois seguir seus exemplos.
É muito provável que não haja publicidade para eles, salvo quando alguém queira difamá-los. Mas sabem que um dia os homens serão julgados considerando apenas o que fizeram, o que os inspirou e as perseguições que enfrentaram. E que aqueles que os julgaram serão por sua vez julgados… A admiração que os heróis suscitarão será mais silenciosa, mas também mais sincera.
É inegável que os jovens estudantes já obtiveram uma conquista de primeira ordem: o fato de que em todo o mundo civilizado tenha pelo menos quintuplicado o número dos que ouviram falar de sua luta e dos que agora sabem que o regime bolivariano é ditatorial, repressivo e marxista, servindo assim para alertar fortemente a opinião pública de muitas nações contra semelhantes enganos.
Para encerrar, não me resta senão fazer votos para que esta chama não se apague, mas, ao contrário, continue servindo de exemplo aos jovens de outras latitudes, a fim de que, sempre que for necessário, eles optem pelo combate legal, pacífico e intrépido, e pelo revigoramento do autêntico espírito religioso contra os inimigos da Cristandade.
Em uma ação criminosa, mulheres do Movimento dos Sem-Terra (MST) destruíram no dia 5 de março mudas de EUCALÍPTOS TRANSGÊNICOS que eram objeto de pesquisa há 15 anos no interior de São Paulo. Elas invadiram e destruíram um centro de pesquisa da FutureGene, empresa do grupo SUZANO PAPEL E CELULOSE, em Itapetininga (SP). Mais uma vez, uma ação CRIMINOSA que deve ser objeto de ação penal e as responsáveis devem ser DETIDAS e pagar pelo prejuízo.
Em um país realmente democrático ações como esta são tratadas como ações terroristas porque visam a destruição e a desordem - que foi exatamente o que fizeram. Porém, o governo brasileiro (PT) sempre trabalhou no intuito de barrar a aprovação de uma lei antiterror. Dá para imaginar por que?
Ano passado o deputado Ônyx Lorenzone, do Democratas-RS, denunciou a decisão do então ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, de suspender a consulta prévia para concessão de visto de países como Afeganistão, Irã, Iraque, Jordania, Líbano, Líbia, Palestina, Paquistão e Síria. A desculpa era a Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, ainda preocupando-se com a Copa, discutia-se no Senado a aprovação de uma lei contra o terrorismo, mas a discussão esbarrou com a preocupação - dos partidos de esquerda - de que tal legislação viesse a criminalisar protestos de movimentos sociais (Por exemplo: MST, MTST, CUT, Sindicatos). Em outras palavras, estes partidos, por temor de que a lei antiterrorismo fosse aplicada para punir vândalos e baderneiros que atuam em protestos protagonizados por eles, impediram o progresso das discussões.
Acontece que, no final do mês passado (24/abril), em Brasília, a Polícia Federal (PF) realizou uma rara operação contra alvos suspeitos de envolvimento com terrorismo. O Grupo Antibomba também participou desta operação que, em função de sua natureza, está ocorrendo em sigilo. O alvo foi o apartamento do advogado Marcelo Bulhões dos Santos, que é um brasileiro convertido ao islamismo de corrente sunita e frequenta a mesquita da Capital Federal. Há indícios de sua ligação com extremistas e suspeita-se de sua cumplicidade com terroristas.
Marcelo Bulhões já trabalhou na Casa Civil da Presidência da República durante a gestão de Dilma Rousseff e foi funcionário da própria Polícia Federal. De seu apartamento foram apreendidos documentos e materiais eletrônicos para serem analisados. Órgãos da Inteligência do governo já encaminharam relatórios apontando para tentativas da organização terrorista Estado Islâmico (EI), que ocupa parte do território iraquiano e sírio, em cooptar brasileiros (vejam links 1 e 2) e alertando para a necessidade de uma lei antiterror (link). Os brasileiros cooptados pelo terrorismo seriam usados para atuar como "lobos solitários" - extremistas que, estando fora das listas de procurados, gozam de maior mobilidade e são capazes de fazer atentados isolados e imprevisíveis em diferentes países. Contudo, mais uma vez os partidos de esquerda se meteram a atrapalhar o andamento das discussões. Eles exigiram uma audiência pública - que ainda não foi agendada - sobre o tema, com o intuito de barrar mais uma vez a continuidade das conversações que já estavam em curso.
Assim, enquanto o assunto terrorismo segue descriminalizado, atos tratados em qualquer país democrático como "ato de terror", no Brasil são julgados como crime acessório. No caso mesmo do senhor Bulhões, a justiça brasileira só poderá puni-lo por crimes como estelionato e falsificação de documentos.
Há mais de um ano, graças à desculpa da Copa do Mundo, o Brasil vem facilitando a entrada de estrangeiros provenientes de países onde há a atuação e treinamento de integrantes de organizações terroristas. O visto de entrada para qualquer cidadão destes países está sendo concedido de forma automática, sem o menor contole e de forma legal.